Os efeitos do dólar valorizado
A atual equipe econômica do governo Federal estabeleceu como estratégia desvalorizar o Real diante do dólar.
Este movimente teve início meses atrás quando optou por alterar a tributação do capital estrangeiro e ainda elevar o imposto sobre operações financeiras em compras internacionais. Além desta ação tributária o Banco Central entrou firme no mercado realizando leilões de compra da moeda estrangeira o que ajudou a elevar a cotação do dólar. Isso sem contar a queda dos juros básicos de nossa economia, que tornou os títulos públicos brasileiros menos atrativos ao capital estrangeiro. Tem ainda que considerar a demanda por dólares das filiais que atuam no Brasil, que remetem recursos às suas matrizes, as quais estão fragilizadas em suas operações especialmente na Europa.
Estas ações não levaram em conta o movimento mundial de apreciação do dólar. Outros países emergentes observaram valorização do dólar.
O conjunto das ações potencializou a cotação e talvez aí esteja o maior problema a ser enfrentado neste momento.
Dólar valorizado estimula as exportações e inibe importações. É capaz de favorecer as empresas nacionais, à medida que os produtos fabricados no Brasil não sofrerão tanto com a concorrência internacional. Mesmo com esta tendência devemos tomar cuidado para não imaginar que isto se dará facilmente. Explico melhor: os exportadores ainda não têm garantias que a cotação ficará neste patamar. Em outras palavras: podem exportar imaginando um dólar próximo do patamar atual e receber a um dólar mais baixo.
Além deste aspecto podemos apontar outras conseqüências que exigirão boa estratégia da equipe econômica. Se de um lado haverá inibição das viagens internacionais por parte dos brasileiros e ainda, como colocado, segura as importações, de outro lado poderemos ter a chamada inflação importada.
As empresas brasileiras utilizam componentes importados e ainda há uma série de produtos que seguem a cotação internacional de preços. Isso pode tornar os produtos, em Reais, mais caros. É certo que este efeito pode ser minimizado pela baixa dos preços em dólares, fato observado pela fragilidade das principais economias do mundo, mas haverá reflexos nos preços internos, até mesmo porque o consumidor perderá a referência dos preços dos produtos importados.
Ainda no lado negativo a importação de máquinas e equipamentos que permitem ganhos em produtividade se tornará mais cara.
É cedo ainda para imaginar grandes estragos na economia nacional, mas foi aceso o sinal de alerta, pois devemos considerar o movimento interno de redução de juros, o que libera um pouco mais os preços pela elevação da demanda.
Na prática o problema é não o dólar se valorizar diante do Real, mas sim isso se dar com muita velocidade, não dando tempo aos agentes econômicos de estabelecerem suas estratégias e o mercado assimilar os impactos de custos.
Mais uma vez a competência da equipe econômica será provada pelo mercado e esperamos que ações firmes e na direção correta sejam implementadas.











