Entendendo o tumulto na apuração dos resultados das escolas de samba em São Paulo como um ponto fora da curva, é possível utilizar as escolas de samba como exemplo de multidisciplinaridade que é preconizada nas empresas.
A apresentação no sambódromo é resultado de meses de trabalho. Envolve uma série de profissionais que possuem um grande objetivo: conquistar o título, ou melhor, conquistar o público, realizando um verdadeiro espetáculo.
Vou começar exatamente por este espetáculo. No dia a dia qualquer gestor desejaria que sua equipe, seu produto final fossem aplaudidos de pé pelos consumidores. Para que isso seja verdadeiro é preciso primar pela qualidade, envolvendo pessoas, capital humano e processos bem definidos. Também é preciso trabalhar a imagem, ter preços competitivos, enfim, que o valor percebido pelo cliente seja positivo, partindo da relação custo/benefício.
Uma escola de samba envolve sistema de produção, cronograma de trabalho, profissionais das mais variadas áreas, como: designers, costureiras, decoradores, engenheiros, economistas (gestão econômica e financeira), contadores, administradores, profissionais de suprimentos, marketing, comunicação, gestão de pessoas, controle patrimonial, logística, entre outras.
Traçam seus planos e viabilizam recursos para que isso seja verdadeiro. Observem que nem sempre é quem gasta mais que conquista o primeiro lugar, mas sim, os mais criativos, os que conseguem melhor aproveitamento do material e acima de tudo são capazes de primar pela organização. Os próprios quesitos avaliados passam pela logística, como por exemplo, a evolução e a harmonia.
Quando julgam isoladamente alguns destaques, como a bateria, o mestre sala e porta bandeiras, é como se fossem colocados a prova os vários produtos e serviços oferecidos pela empresa.
Em ambiente competitivo as empresas não sobrevivem sem que haja a interface entre as várias áreas. Foi o tempo, por exemplo, que a contabilidade servia somente para atender demandas do governo, na geração de tributos. Outro exemplo é área finanças, que envolve os resultados da empresa como um todo.
Se pensarmos a visão estratégica da empresa no formato de pirâmide, é preciso ter o alicerce no patrimônio físico, capital humano, investir em processos, entender o cliente, investir em qualidade, imagem, possuir produtos diferenciados com preços competitivos e o topo da pirâmide será atingido com lucratividade e bom desempenho financeiro.
O fato de as escolas de samba ter que se apresentar em pouco mais de uma hora e jogar todas as suas fichas no dia da apresentação, passa a ser o elemento motivador para que as falhas sejam minimizadas. Neste sentido o desafio empresarial em outros setores da atividade econômica, talvez seja a definição de quando se dá a apoteose, ou seja, qual é o momento da efetiva apresentação, jogando ali todas suas fichas. Penso que pode ser no ato da venda, ou na estratégia traçada ou até mesmo na gestão de processos.
O que está posto é que em qualquer atividade, seja empresarial, cultural ou de governo, não há mais espaço para amadores.
Os objetivos devem ser claros, o envolvimento e comprometimento da equipe, na visão multidisciplinar são imperativos, e as estratégias devem ser traçadas para que isso tudo se torne realidade.
É preciso aprender sempre, principalmente quando o “produto” final agrada. As escolas de samba, ao menos o que se viu nos dias de apresentação oferecerem boas e importantes lições.











